Pesquisador da UFJF desenvolve medicamento que trata câncer de mama

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer que mais acomete mulheres no Brasil, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontavam que, somente em 2016, 57.960 novos casos da doença seriam descobertos no país. Voltada para a prevenção, a campanha Outubro Rosa é realizada durante o mês e reúne ações de conscientização para evitar números ainda maiores. Para as mulheres que já estão em tratamento contra a doença, no entanto, o período é um momento de visibilidade, quando é possível, mais do que nunca, apoiar e receber apoio. Em Juiz de Fora, grupos formados para confortar e tornar o tratamento menos penoso promovem doações e atos de solidariedade.

Os números relacionados à alta incidência do câncer de mama e a vivência de um caso da doença na família foram os fatores que motivaram o pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Frederico Pittella, a se voltar para a área do câncer de mama. Professor do Departamento de Ciências Farmacêuticas da universidade, ele coordena o projeto “Otimização de sequências de short interfering RNA para terapia de câncer de mama e o desenvolvimento de nanocarregadores híbridos” junto a quatro acadêmicos da universidade.

“Na fase pré-clínica da pesquisa fazemos a identificação de genes que são essenciais para o desenvolvimento do câncer e que aparecem em quantidade muito maior do que em células normais. A partir do momento em que conseguimos identificá-los, aplicamos um efeito chamado RNA de interferência, por meio do qual construímos uma sequência complementar a qualquer um desses genes. Essa sequência vai silenciar ou reduzir a expressão dos genes cancerígenos, levando-os aos patamares normais de expressão. É como se a célula do câncer de mama voltasse a expressar aquele gene como uma célula normal”, explica o pesquisador.

O objetivo é desenvolver um medicamento que trata o câncer de mama de forma menos agressiva, por agir somente nas células em que há genes do câncer por meio do emprego da nanotecnologia. “Para identificar as células com câncer, precisamos das nanopartículas para empregar essa sequência de RNA especificamente na célula de câncer, o que reduz efeitos colaterais ou adversos de qualquer tipo de tratamento.” Conforme o pesquisador, desta forma, seria possível reduzir os efeitos clínicos do tratamento nas pacientes, como a queda de cabelo. A expectativa é que o medicamento seja uma terapia que cura a doença, sem causar outros problemas.

Apesar de já estar em desenvolvimento desde 2014, quando verbas federais e estaduais foram liberadas para a pesquisa, não há previsão de quando o medicamento será lançado no mercado. “Já temos as nanopartículas, essenciais para a efetividade do novo medicamento. Agora, estamos testando a pesquisa em células in vitro. O próximo passo é o teste em camundongos, para verificar a redução de tumor. Mais à frente, o objetivo é testar o medicamento em humanos, mas, para chegar nessa fase, dependemos de fatores como o sucesso do tratamento nos animais e a continuidade do financiamento da pesquisa”.

Necessidade de financiamento

Segundo Pittella, o tempo médio para que um medicamento chegue ao consumidor final é de 15 anos. Para que isso aconteça, no entanto, é preciso do apoio de instituições privadas e públicas para garantir a continuidade da pesquisa. “Atuei como pesquisador na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e trabalhava com câncer de pâncreas. Em determinado momento, decidimos aplicar nosso conhecimento no câncer de mama, que acomete mais pessoas. Quando vim para Juiz de Fora, trouxe a pesquisa, e sempre recebi apoio da universidade em termos de bolsa e estrutura para continuar o projeto. Temos financiamento do Governo federal e do estadual, mas eles não são suficientes para chegarmos até onde queremos”, conta o professor.

A expectativa é que, com a divulgação da pesquisa e dos resultados já obtidos, o projeto ganhe parceiros e gere frutos para a sociedade. “Agradecemos qualquer tipo de ajuda, tanto pública ou privada, pois esse tipo de apoio impacta favoravelmente no curso da pesquisa. Inicialmente, os estudantes estão sendo beneficiados, por estudarem uma técnica presente apenas no exterior. Por outro lado, a sociedade vai ganhar profissionais críticos para trabalharem com o câncer de mama. Tenho um caso na família e vejo a necessidade de confortar essas pacientes também. Elas precisam saber que estamos trabalhando em prol delas”, finaliza Pittella

 

Fonte: Tribuna de Minas

http://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/22-10-2017/pesquisador-da-u...